Noturno
de Chopin
Olhares
expressionistas
Murmúrios
insanos
Prazeres
insaciáveis
Levando
carros, dias felizes
Supermercados,
cenas de filmes
Viagens,
gozos, drinks
Luares, idas à praia
Crianças,
quadros, cães e gatos
Se
distancia ante meus olhos
Em
movimentos disformes, mutantes
Assumindo
cores vivas
Pálidas,
mortas
Um
turbilhão descalço
Desnudo,
descarnado
Se
lança ao passado
Rolando
ribanceiras
Batendo
nas pradarias
Acendendo
flashs
Cheiros,
acordes
Canções
Fotos
esmaecidas
Achadas
na lixeira
De
algum prédio abandonado
Ocupado
por mendigos
Usando
qualquer papel
Para
fugir do frio
Da
noite
De
cactos e ruas
Crimes
e cortes
Perdas
amargas
Vazios
infinitos
Transbordamentos
vitais
Um
turbilhão de aves cegas
Dilacerando
Meu
ser
Membros,
órgãos, células
Espalhados
Estalando nas águas
Silencioso
Noturno
De
Chopin.
Eles
apareceram de repente
A
cabeça pendente
De
um...
A
perna cruzada
De
outro...
A
janela de vidro do quarto
Inesperadamente
Um
quadro vivo...
Chegaram
aos montes
De
todos os lados
Formas
presas
Soltas
No
ar...
A
missão era especial:
Recuperar
uma bola caída
No
telhado do prédio em frente...
Gritei:
saiam daí! É perigoso!
O
menorzinho já
Se
aventurava por uma calha suspeita
Nada
escutavam...
Todos
muito hábeis
Lépidos
Leves
Líricos
Trabalhando
em equipe...
Saí
para procurar ajuda
Um
deles poderia morrer...
Voltei
com os bombeiros
Mas
não havia mais ninguém lá
Nem
a bola...
Até
bem pouco tempo atrás
Havia
um sentimento
Um
desejo, uma meta
Impulsionando
tudo
Farejando
arbustos
Lendo
luminosos
Improváveis
À
caça
De
uma idéia
Absoluta
De
uma palavra
Fatal
Até
bem pouco tempo atrás
Todo
o meu corpo se projetava
Na
tela cega desse desejo
Cego
Agora
vejo
A
Praia
Do
Flamengo
O
Pão
De
açúcar
A
Baía
De
Guanabara
E
tudo o que sou
Navega
Na
paisagem.