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A UM ITABIRANO,
COM AMOR
E como eu
percorresse atentamente
uma obra de Minas, majestosa,
que ilumina corações e mentes
e devolve
ao povo a sua rosa,
descobri que o poeta é, sobretudo,
um exemplo de vida dolorosa.
Mas a vida,
como se sabe, é tudo,
e a morte, essa visita derradeira,
pode atrasar, mas chega - não me iludo.
A lição dessa
obra é a primeira:
nascemos para amar. O resto é espuma
que se esvai entre todas as besteiras
que dizemos
e fazemos. Em suma,
o amor, essa "palavra essencial",
justifica a vida. Então, nenhuma
outra é mais
bonita. Ou mais banal.
Quando o poeta itabirano nasceu,
há cem anos, um coro celestial
de anjos,
na verdade, emudeceu.
Porque diante de um ser muito amoroso,
não há anjo, arcanjo ou orfeu
mais puro,
mais sagrado, mais zeloso.
Quando o poeta itabirano se foi,
em busca de um amor tão venturoso,
que unia
pai e filha, os dois,
irmanados na alegria e na dor,
não sabia que, quinze anos depois,
um obscuro
poeta, em seu louvor,
dedicaria estes versos à glória
de um itabirano, com amor.
Amor que
não me sai mais da memória.
Ricardo Vieira Lima
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